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sábado, 8 de maio de 2010

REFLEXÕES SOBRE A CONTAÇÃO NO LAR SÃO JOSÉ

Impressionante este privilégio de poder circular por diversos lugares contando histórias do meu livro. Mas a cada vivência uma história que só reflete o quanto ainda precisamos, brancos e negros, trabalhar em prol da descolonização de nossas mentes e de uma educação anti-racista. Após a contação do mito "Ajê Xalugá e seu brilho intenso", fui para a roda de conversas com 23 crianças (9 adolescentes) que lá estavam. Pedi para citarem nomes de princesas conhecidas, eles citaram. Depois, solicitei para que me apontassem o que as princesas que eles citaram tinham em comum, e eles responderam "são todas brancas". Falei da existência de princesas negras e do quanto crianças duvidam até hoje disto. Uma criança levantou a mão pedindo a fala e disse: "Kiusam, tem essa coisa de ficarem chamando a gente de macaco, essas coisas assim". Eu disse: "Sim, esse apelidos..." e ele nem me deixou continuar, dizendo "não são apelidos, são xingamentos". Uma jovem imediatamente disse "a gente vive sofrendo bulling" ao que outra disse "isso é preconceito", e outra respondeu "isso é RACISMO". Em seguida, um garotinho disse com todas as letras "Aqui, os adultos xingam a gente de macaco, lixo, favelado, preto fedido" e eu como não poderia deixar de lado tal informação despejei: "Racismo é crime, passível de cadeia. Vocês são menores de idade e para concretizar o boletim de ocorrência, deverão comparecer a uma delegacia com um adulto e de preferência, com testemunhas". Pelo brilho no olhar dos jovens, dei-lhes uma informação preciosa e saberão muito bem fazer uso dela. É triste termos que lidar, em pleno século XXI, com crianças e jovens precisando receber este tipo de informação a fim de poderem preservar a altivez e a nobreza já não mais tão presente naqueles corpos negros.

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